quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Não pergunte o meu gosto


 
 
Do cabelo ao caderno bagunçado. Ambos lisos, ambos nem sempre recebendo a atenção necessária.

Já fui da época da neura com caderno. Adesivo na parte inferior esquerda de cada folha, atrapalhando minha escrita contínua, mas aparência de bem cuidado. Sempre.

Já fui da época de ir à escola com cabelo molhado, presilhas coloridas/arco de flor, cheiro de creme no ar...

Na inocência, pensei serem manias imutáveis. Mazolha! Como mudamos.

Mudanças constantes. Pensamentos e opiniões em conflito contínuo por aqui.

Um sábio me disse uma vez que, somos um grande edifício, cada um de nós. E que eu, já possuo meu alicerce, onde nada nem ninguém poderá mudá-lo. Mas que há pouco, este edifício descobriu que mudanças aqui fora podem ser feitas. Uma janela aqui, uma reforma ali. Uma nova cor aqui, uma limpeza ali.

Desde então, aprendi que não devemos rotular edifícios. Fazendo isso, nos perderemos ao pensar que ele não é mais o mesmo, pelo simples fato de não ter mais a mesma cor ou aparência. [Pré-] Conceito bobinho. Ele continua ali, na mesma rua, com o mesmo número. O mesmo endereço.

Não me rotule. Vou te decepcionar. Não me pergunte qual minha banda favorita; ouço quase tudo e ainda assim não descobri meu gênero. Vai ver nem tenho um. Me rotule e vai se decepcionar ao ver minha PlayList. Me rotule e ao ver os livros em minha estante vai se decepcionar também.

Talvez o segredo das pessoas felizes seja esse; não rotular os outros por saber que a si mesmo ninguém pode rotular.

Caso se recuse a meus pedidos, caro rotulador, [in] felizmente, o que é imutável em mim, não é visível para você. Meu alicerce está sob o chão que pisas. Relaxa... Não vou cair. Por mim mesma, não me sustento. Coloco a fé na Pedra que me firmei. Às vezes até quebro a cara, me esquecendo do que me sustenta, ao focar demais nas reformas por aqui. Mas a vida é assim, não é mesmo?

Me apego à esperança de uma futura estabilidade e constância para tudo isso. Para todos.

Até lá... Quanto ao resto? Àquilo que vês em mim? Ah... já "dizia" Raul Seixas: Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.